quarta-feira, 28 de maio de 2014
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Meu Louco Diário Gordo
Estive assistindo My Mad Fat Diary, um seriado britânico que passa no 4E. Acho que eu nunca me identifiquei tanto com uma personagem como eu me identifiquei com Rae Earl, a protagonista. Não me identifico tanto nem com Otto, uma personagem criada por mim, baseada em mim. Bem, a Rae mostra o que eu venho há tempos tentando explicar a algumas pessoas: não é porque você tem amigos ou namorado ou pais super presentes e carinhosos que você não pode se sentir triste algumas vezes (ou muitas vezes, o meu caso).
A questão é: mesmo que eu tenha mil motivos pra ser completamente feliz, eu não posso dizer com cem por cento de certeza que eu sou. Não que eu seja infeliz, não que a minha vida seja a pior de todas, é justamente isso que me preocupa e preocupa ao Lucas: o fato dos pequenos defeitos de ser eu me afetarem de forma tão monstruosa.
Até eu descobrir Rachel Earl e seu diário, que veio a ser meu seriado preferido, eu percebi que o que eu faço aqui, pela internet, ela fez em 1980 e pouco, no papel. Existem pessoas que passaram exatamente pelos mesmos problemas que eu passo, eu não sou completamente incompreendida. Obviamente, Rae Earl não faz a mínima ideia de que eu existo e de que eu praticamente sou ela dos anos 2000, mais pra depois de 2010. Mas mantenhamos as coisas assim. Ela, Rachel Earl, de Stamford, nos anos 80, e eu, Giovanna Miller, de 2012 até agora. Épocas diferentes, histórias diferentes, pensamentos e sentimentos iguais. Ela não teve pai, eu perdi minha mãe. Ela perdeu a melhor amiga, eu perdi meu primo-quase-irmão. Eu tenho um namorado, ela teve um namorado. Ela foi gorda durante a adolescência inteira, não sei se ainda é, mas eu ainda sou. A única diferença é que eu estou aguentando firme por enquanto (e espero continuar assim).
Somos a mesma alma, dividida em dois corpos.
Rachel Earl, you make me feel so comfortable and so relieved that I could just sleep.
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