A questão é: mesmo que eu tenha mil motivos pra ser completamente feliz, eu não posso dizer com cem por cento de certeza que eu sou. Não que eu seja infeliz, não que a minha vida seja a pior de todas, é justamente isso que me preocupa e preocupa ao Lucas: o fato dos pequenos defeitos de ser eu me afetarem de forma tão monstruosa.
Até eu descobrir Rachel Earl e seu diário, que veio a ser meu seriado preferido, eu percebi que o que eu faço aqui, pela internet, ela fez em 1980 e pouco, no papel. Existem pessoas que passaram exatamente pelos mesmos problemas que eu passo, eu não sou completamente incompreendida. Obviamente, Rae Earl não faz a mínima ideia de que eu existo e de que eu praticamente sou ela dos anos 2000, mais pra depois de 2010. Mas mantenhamos as coisas assim. Ela, Rachel Earl, de Stamford, nos anos 80, e eu, Giovanna Miller, de 2012 até agora. Épocas diferentes, histórias diferentes, pensamentos e sentimentos iguais. Ela não teve pai, eu perdi minha mãe. Ela perdeu a melhor amiga, eu perdi meu primo-quase-irmão. Eu tenho um namorado, ela teve um namorado. Ela foi gorda durante a adolescência inteira, não sei se ainda é, mas eu ainda sou. A única diferença é que eu estou aguentando firme por enquanto (e espero continuar assim).
Somos a mesma alma, dividida em dois corpos.
Rachel Earl, you make me feel so comfortable and so relieved that I could just sleep.
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